O Desafio da Promessa de Data de Entrega

A PRODUÇÃO E AS DATAS DE ENTREGA

Quando trabalhamos junto à indústria, vemos muitas orientações de sistemas produtivos: make-to-stock (produção para estoque), make-to-order (produção contra pedido), assembly-to-order (montagem contra pedido), engineering-to-order (projeto contra pedido), assim como sistemas híbridos que misturam essas diferentes orientações. É muito normal algumas indústrias escolherem produtos que têm muita demanda e ciclos de vida extensos para serem produzidos para estoque a fim de diminuir lead times de ressuprimento para o mercado e ganhar eficiência produtiva, enquanto os produtos personalizados, que não possuem muita demanda contínua ou que possuem um ciclo de vida muito curto (caso da indústria da moda) são produzidos somente contra pedido.

Enquanto o desafio do make-to-stock (MTS) é produzir nas quantidades certas para não gerar obsolescência nem altos custos de estoques, o desafio do make-to-order (MTO) é entregar rapidamente seus produtos a partir do momento em que um cliente gera um pedido, sem prejudicar a eficiência produtiva e, talvez ainda mais importante, sem atrasar a sua entrega! Sendo bem claro, o fato é que temos duas datas de entrega: a que o cliente deseja receber o produto e a que a indústria se compromete em entregá-lo. Muitas vezes estas datas são bem diferentes entre si. Há casos em que não se tem a opção de escolha e o cliente definirá a data de entrega que o fornecedor deverá atender a partir de exigências e padrões de mercado. Mas ainda assim há casos em que existe um diálogo entre as empresas para definir uma data de entrega definitiva. É neste momento que o PPCP tem um papel crucial para o melhor atendimento ao cliente (ou pelo menos deveria ter este papel).

 

A PROMESSA

Para definir uma data de entrega que seja realizável pela produção, o ideal é que a área de PPCP/PPCPM seja a responsável por tal, já que é a área capaz de realizar a análise de todas variáveis da produção (volume de produção atual, materiais, recursos disponíveis, turnos, manutenções, ferramentas, etc) para enxergar quando e como estes pedidos poderão entrar na produção. Em muitos casos vemos empresas trabalhando com lead times fixos para promessa de data de entrega, às vezes com valores padrões para todo e qualquer produto. Porém, a realidade mostra que cada produto tem roteiros de fabricação e necessidades específicas, o que pode fazer com que um produto possa ser produzido muito mais rapidamente do que outro, não fazendo sentido ambos terem o mesmo prazo. Sendo assim, é recomendável que as áreas de em engenharia de métodos e processos analise e classifique os produtos adequadamente segundo o esforço produtivo de cada um. Não é problemático trabalhar com lead times fixos por família de produto e, se os produtos são semelhantes, no limite, também não é errado possuir um lead time fixo para todos os seus produtos. Isso pode ser um facilitador para a área comercial muito interessante. Porém o PPCP precisa analisar estes pedidos que chegam para produção, necessita validar a sua entrega no prazo e processos de contingência para atrasos devem existir.

Seja um pedido que chega sem data de entrega e o PPCP definirá a mesma e passará para a área comercial transmitir ao cliente, ou seja um pedido que já chega com uma data de entrega e o PPCP confirma se é possível ou não entregar aquele pedido no prazo, esta área precisa fazê-lo de uma maneira condizente com a realidade da(s) fábrica(s), caso contrário estaremos fazendo uma promessa que não sabemos se poderemos cumprir. E não tem nada pior para a imagem de uma empresa, além de fatores de qualidade de produto, do que não cumprir prazos de entrega.

 

PROMETA O QUE PODE CUMPRIR

É nessas horas que o aporte tecnológico pode nos dar o respaldo necessário para não gerar atrasos e transtornos desnecessários. Para termos um bom processo de promessa de data de entrega, precisamos ter duas coisas muito bem implantadas e internalizadas pelas áreas da indústria: um processo ágil de comunicação e informação entre a área comercial e de PPCP, aderente às características comerciais da empresa (1), assim como um sistema acurado e confiável de programação de produção que possa avaliar bem as variáveis produtivas (2).

Consulta de Entrega Viável

Consulta de Data de Entrega Viável no Software Preactor APS

Para estabelecer este processo do primeiro ponto levantado é preciso entender se o mercado precisa de respostas imediatas para as demandas ou se é possível padronizar um processo com janelas de horários para realizar  análises de pedidos em massa. Para o primeiro caso é necessário um nível de automação maior, pois os pedidos chegarão de maneira dispersa no tempo e necessitam de um retorno rápido e individualizado, fazendo com que a participação do PPCP fique mais concentrada na geração das regras de negócio para que esta sistemática ocorra sem precisar ter uma pessoa na equipe disponível a todo momento para prometer prazos. Já para o segundo caso, em que se possa trabalhar com prazos de um ou dois turnos para o retorno da informação, pode-se criar um processo com maior envolvimento entre as áreas e simulações agendadas para gerar as datas de entrega de todos os pedidos recebidos numa janela de tempo. Isso permite com que, em casos de não ter capacidade para produzir todos, ou que se tenha que modificar mais profundamente a programação da fábrica para atender alguma necessidade, um diálogo e consenso muito alinhados possa ocorrer entre comercial e PPCP para tomar decisões.

Quanto ao segundo ponto importante, relativo a um sistema confiável para a programação da produção, o imprescindível é levar em consideração que a(s) nossa(s) fábrica(s) têm capacidade finita, e que isso não é decifrável apenas com análises de carga-máquina/homem, e sim precisamos de um sistema capaz de tratar as mais diferentes variáveis possíveis, desde o maquinário disponível para produzir, o sincronismo entre as operações produtivas, até restrições críticas de ferramentas, mão-de-obra ou, inclusive, espaço físico. Caso contrário, confirmar um pedido olhando uma planilha ou jogando uma moeda tem a mesma eficácia.

Para saber que sistemas podem ser esses e como funcionam, conheça mais sobre o Preactor APS e entre em contato com a NEO!

Marcel Meyer
Engenheiro da cadeia logística pelo Grenoble INP e engenheiro de produção pela UFRGS. Possui 6 anos de experiência em atividades de consultoria relacionados a Lean Manufacturing, sistemas APS e Gestão de Conhecimento, inclusive em projetos internacionais. Acredita na complementariedade das disciplinas para a formação de um bom profissional, por isso é apaixonado por aprender tudo aquilo que ainda não sabe. É casado com as disciplinas exatas, mas também tem amantes. A música, a filosofia, o cinema, a gastronomia e as viagens que o digam. Confia no construtivismo social para o progresso da humanidade e sonha em algum dia ver uma educação qualificada disponível para todos.
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